• (41) 3501-4647 / 3501-3773
    contato@energiasmart.com.br

ONS avalia que Brasil não precisará de racionamento

O cenário atual não indica a necessidade de racionamento no país, apesar da preocupação decorrente da escassez hídrica no país. Essa é a avaliação do diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Luiz Carlos Ciocchi. Segundo ele, o atendimento está assegurado no país, mesmo com a elevação da projeção de consumo apontada na revisão quadrimestral da carga, revelada na noite terça-feira, 27, que indica aumento de 4,6% ante 2020, 1,4 ponto porcentual acima da última versão do documento, datada de março.

Ciocchi foi o convidado do CanalEnergia Entrevista, realizado na tarde desta quarta-feira, 28 de julho. Segundo ele, a entidade está preocupada com a situação, mas atuando com serenidade e transparência sobre a situação do Sistema Interligado Nacional. Ele diz que o resultado dessa atuação intensa da entidade deverá resultar em reservatórios no maior submercado do país, o Sudeste/Centro-Oeste com cerca de 10% de sua capacidade ao final de novembro, época que marca o final período seco no país.

Entre as formas de atuar para mitigar os efeitos dessa crise hídrica, o diretor geral disse que a partir de agosto o ONS deverá ter à sua disposição capacidade de geração térmica das chamadas ‘usinas merchant’, centrais de geração que não possuem contratos. Além disso, destacou que em breve a portaria com as diretrizes de outro mecanismo, o programa de Resposta da Demanda deverá ser publicado pelo Ministério de Minas e Energia. E ainda, a meta é a de aproveitar toda a potencialidade da geração eólica no Nordeste agora que os recursos hídricos no Norte do país estão em redução.

“Resposta da demanda é um programa que em todo o mundo tem adesão, aqui no Brasil pode ser algo cultural para que não tenhamos tido esse movimento, mas agora acho que o programa deverá trazer resultados”, avalia ele. Para Ciocchi, a retomada do horário de verão não traz resultados uma vez que somente desloca o horário da ponta ao invés de economia de energia. Contudo, revela que o ONS está trabalhando para revisar a Nota Técnica sobre o assunto a pedido do governo.

Na avaliação do executivo as preocupações para a operação no ano de 2022 estão concentradas na questão das chuvas que comporão o próximo período úmido. A baixa hidrologia atual, disse ele, não tem um impacto tão grande na operação porque por mais que se tenha vazões acima da média o volume é pequeno então, não faria tanta diferença. Contudo, ele diz que o Brasil estará mais bem preparado no próximo ano do que em 2021. Ciocchi citou o fim dos gargalos em transmissão que foram ocasionados pela Abengoa que não entregou obras no Nordeste, com a entrada em operação comercial de um volume de cerca de 10 GW em novas usinas e de diversas fontes.

“A questão dos gargalos de transmissão não foi um problema de planejamento da expansão. As obras que estavam atrasadas deverão entrar em operação já em agosto ou setembro, ou seja, no próximo ano já ajudarão no escoamento da produção de energia no Norte e do Nordeste nesse mesmo período de 2022”, diz. “Em 2022 teremos mais recursos disponíveis do que em 2021”, acrescenta.

Fonte: Canal Energia.